sexta-feira, 29 de maio de 2009

Crônica da Ausência

Houve um tempo em que pensei que estar com alguém que se ama é a melhor sensação do mundo. Também houve um tempo em que pensei que esse alguém que se ama só pode estar dentro de si mesmo, ficar sozinho portanto seria a melhor sensação do mundo.
Nesse segundo tempo, descobri que se amar também significa respeitar suas próprias vontades. Eu estava errada em todos os tempos, mas não errei em descobrir que para se estar com alguém completamente, é necessário ficar sozinha. Não errei também em descobrir que faz parte do “se auto-amar” não respeitar suas vontades, protegendo-se assim de dores de conseqüência. Mas eu tive de sofrer essas dores para aprender a me proteger, sofrendo assim dores menores, mais serenas.
Confusões mentais a parte, decidi lhe mandar uma mensagem. Antes disso, pensei sobre as possíveis conseqüências: pensei nas menores, mas maiores, nas boas, nas ruins, enfim, pensei em todas as possíveis!
Mandei. Não obtive resposta. Oh Céus, esqueci-me de pensar na falta de conseqüências. Ele não respondeu. Passou-se um dia. Dois. Uma semana. Três. Não houve resposta boa, nem ruim. Houve ausência completa de respostas.
Me remoí, chorei, rolei no chão como se me doesse o abdômen. Desse uma resposta negativa, xingasse-me, qualquer coisa, mas a falta de resposta é dor na certa.
Era a volta dos choros da tarde. Pontualmente aquela dor surgia e o choro da tarde voltava. Não adiantava mais bater os pés, fazer birra, chorar. Não houve mais nenhuma resposta, houve ausência.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

dor em arte

a gente transforma dor em arte
e distribui por toda parte
é dor pra tudo que é lado,
arte de amor insaciado.

a gente vê beleza onde não há
e sonha com um futuro que não virá
acorda e dorme e come e sonha
sonha sonho bonito sem querer acordar


(não consigo acabar esse sem estragar
ainda esperando alguém-inspiração
=P )

domingo, 7 de dezembro de 2008

Feliz música velha

Existem coisas - em diversas épocas do ano - que me deixam possessa, mas nenhuma delas supera o fim do ano! É aquela data quando a gente olha pra trás e se pergunta o que vai ficar pra memória, e quanto ainda teremos de memória!
Esse não é ainda o problema maior! O problema maior não é particular meu, é de cunho nacional! O problema nacional que supera o problema dos enfeites ultrapassados que todo ano achamos lindos sem reparar que são idênticos aos dos anos em que nascemos é a música do fim de ano! Sim, leitores, é a praga nacional do fim do ano, eu vos anuncio ( o tão sempre anunciado)!
“Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou” é o jargão que somos obrigados a ouvir todo fim de ano e que gravamos na memória pra ficar matutando o dia inteiro. O que me revolta é que não param pra perceber o quão contraditório é o jargão. Tenho (para quem é mais velho: apenas e para quem é mais novo: muitos) 19 anos e desde que me conheço por “eu” ouço essa música, o que me faz acreditar que todo dia é um novo dia que se repete todo dia, enfiando-nos num ciclo infeliz e infindável.
Essa música do tipo grudenta é repetida todo o fim de ano visando representar uma esperança no ano melhor que deverá vir. Será que ninguém nesse país globista acha que um ano melhor merece uma música melhor e um novo dia merece uma nova música?
Fico todo ano inconformada, e talvez maus pensamentos desse tipo sejam os que me trazem anos sempre iguais, com a cara-de-pau de quem coloca essa passagem drástica no ar todos os anos por toda a história de uma rede televisiva. Será que o ano desses diretores, atores e funcionários é sempre novo de um novo tempo?
Pois eu vejo sempre a mesma repetição, seja no carnaval – e suas escolas de samba cujo enredo por mais que mude sempre me parecerá o mesmo – seja nas novelas – leia-se o mesmo caso do carnaval – e até nos jornais – onde as notícias, por mais chocantes que sejam, sempre frisam aspectos que assustam desde a antiguidade – o que se vê é sempre a mesma repetição do tão esperado “novo tempo”.
Mas essa tentativa de nos injetar esperanças pífias num futuro que pra mim nada mais é do que um ciclo repetitivo e monótono não mais funciona. Se o novo dia do novo tempo que há de começar será sempre com essa repetição, prefiro os velhos tempos - que não vivi - da falta de tevê, ou será que as radiolas cantavam algo do tipo “amanhã será um novo dia de um novo tempo de alienação televisiva?”. Se cantavam, pelo menos os instrumentos de nossas avós previram algo de real, o nosso nem isso mais faz.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

urbano II

Ela era urbana
Digo da garota,
Não da cidade.

Traçava seu paralelo com a metrópole
Uma, a capital da economia,
A outra, capital das paixões.

Quando anoitecia
Ambas iluminavam-se
- Mas a luz de uma delas era falsa -

Quando chovia
Ambas paravam,
E o efeito d’água n’ela atordoava as pessoas

Quando abria o sol
Ambas se abriam
Como as rosas que não possuíam

E quando menos se esperava
Uma se entristecia
A outra d’ela ria

[Era a muleca que não mais o era
Era a mulher que agora habitava nelas
Na pessoa, na cidade.

Era a ida de uma
Era a vinda de uma
Era a vida de ambas]

A mulher tomou a cidade
e chamou-a de tua
abrigou teus amores em si
de todo mal e toda chuva

(mesmo sabendo que nunca teria coração grande
como o da metrópole
- a mãe injusta.)


(queria trabalhar mais em cima disso, mas como num vai ficar bom mesmo, vai esse. hahaha...
desânimo poético =P )

terça-feira, 11 de novembro de 2008

transformando

Transformando
Toda dor em arte
Todo suspiro em delírio
Todo cravo,
Em lírio

Todos os sonhos em realidades
Todas as grandes mentiras
Em pequenas inverdades

Acreditando
Que toda rosa
É prosa
Que toda noite vadia
Pode ser também poesia

(...)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

urbano

Máquinas com rodas atropelando de cinza céus azuis
Relógios correndo com a pressa das pessoas nos metrôs
Vidas penduradas nas janelas dos ônibus
Ônibus que ofegam de hálitos diversos e viróticos

Sonhos em prédios com elevadores abarrotados
Monstros em massa vagando nos cérebros
A desgraça e o barulho entupindo nossos vãos
Vãos entupidos de vãos entupidos.


(essa é do tempo em que eu apostava que a próxima escola literária seria totalmente urbanizada, algo como "metropolistas"...rsrs...
uns 3 anos atrás, talvez.)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Soneto alexandrino

Não olhes, pois, o errôneo passado
Ante o futuro promissor da vida
Quando o então sempre muito amado
Estiver enfim em infeliz partida

Não deixes baixar a cabeça, oh fiel
Ante o sacrilégio do traidor
Livra de ti em caneta e em papel
Os vestígios do derradeiro amor

Subas e desças no âmbito de teu céu
Inflijas a lei de sozinho sentir dor
Jogues ao vento quem já te jogou ao léu

Larga o vício de ter companhia
enfim, de quem tão mal te acompanhava
E prova o fim da má melancolia.


(teste em soneto alexandrino)

=]